A escrita e as habilidades fonológicas

por Cinthia Wilmers de Sá (*)

O português é uma língua alfabética e a matéria prima de nossa língua é o fonema (som). Trata-se de um sistema gerativo composto por vogais e consoantes que são representados pelas letras (grafemas) e que originarão todas as palavras que escrevemos.

A compreensão da escrita envolve a percepção inicialmente das sílabas e depois dos fonemas. O aprendizado da sílaba é um processo natural e espontâneo, que surge no desenvolvimento da oralidade quando a criança ainda pequena brinca de segmentar as palavras.

Já a noção de fonemas é adquirida no aprendizado da escrita, e é fundamental para escrevermos, pois escrever significa conhecer a própria língua.

No desenvolvimento da escrita as crianças identificam inicialmente as vogais, pois são mais evidentes que as consoantes e há também a coincidência do som da letra com seu nome, o que facilita muito a percepção e a associação fonema (som) com o grafema (letra).

A compreensão das complexas relações que há entre os sons e as diferentes letras que existem no Português é que trará o sucesso da alfabetização. Assim, o ponto chave da alfabetização é fazer a criança perceber que os sons podem ser representados por diferentes letras, que quando manipuladas e agrupadas entre si de maneiras diferentes, formam um número enorme de palavras distintas.

Para isso, é necessário que a criança desenvolva a consciência fonológica, que são habilidades que tem como objetivo levar a criança a descobrir que é possível segmentar a fala em unidades menores e diferentes, que quando combinadas de diversas maneiras entre si, acabam formando diferentes palavras.

Essas habilidades são avaliadas através de:
-reconhecimento de rima e aliteração;
-consciência de palavras e segmentação frasal;
-consciência, transposição, inclusão, exclusão e segmentação em sílabas;
-consciência, transposição, inclusão, exclusão e segmentação em fonemas.

Existe uma relação direta entre as habilidades fonológicas e o desenvolvimento da leitura e escrita, e essas descobertas são fundamentais para a aquisição da leitura e escrita, independente do método de alfabetização, uma vez que nossa escrita é alfabética, e a criança deve chegar a essas relações para compreender a base como a nossa língua escrita se estrutura. Caberá ao professor oferecer o maior número possível de experiências de escrita e nos mais diferentes gêneros, possibilitando que a criança perceba e viva a função social da escrita, que além do processo de decodificação e codificação,será fundamental para a construção da escrita.

 

(*) Cinthia Wilmers de Sá, fonoaudióloga
Membro do CAE – Centro e Avaliação e Encaminhamento da Associação Brasileira de Dislexia- ABD.

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